Andei ausente deste espaço. Nos tempos que nos abraçam, minha vida tem sido inconstante e completamente alterada do que foi até setembro de 2010. Sonhos a realizar-se e pesadelos já póstumos, ponho-me novamente a escrever algumas linhas por aqui.
O que me fez voltar a falar por letras qualquer coisa que não poesia? Uma certeza que aos meus olhos parece cada vez mais nua: a vida cobra um preço.
Nesse nosso mundo, as escolhas são constantes como o amanhecer. Desde a roupa, o cardápio do café, o local do almoço, desde o insignificante ao tudo, o viver nada mais é do que um finito suceder de escolhas. Mesmo a inércia é uma opção. Mesmo o silêncio é um escolha. Há quem escolha, inclusive, não viver – ainda que existente persista.
Não quero aqui aprofundar-me no trato do que é, propriamente, escolher, tampouco me é interessante abordar a distinta e variável gama de opções postas nos braços das diferentes pessoas. Parece-me importante, contudo, dizer nada mais que o óbvio: toda a escolha, mesmo as omissões, haverão de ensejar inevitáveis consequências. O querer em detrimento de um não querer, o ir ao invés do ficar, o falar vivo e não o calar, as opções um ou dois – tudo haverá sempre de criar o presente que nos era futuro, toda a escolha dará luz a uma realidade que será, no ontem, a nossa história já no papel da vida. O destino não é a potência da escolha, mas sim o seu fim.
E o que dizer busco com toda essa sobreposição de palavras e idéias corriqueiras? Minha pretensão é nenhuma senão relembrar – muito a mim mesmo – que a vida sempre haverá de cobrar-nos um preço pelas nossas escolhas. Ter isso é inevitavelmente abrir, em todo ou em parte, mão de um aquilo que também nos poderia ser aprazível e aproveitável. Não há impunidade na escolha.
Um caminho viciado pela circunstância acrítica de uma dada sociedade haverá de nos privar de tantos valores e de tantas belezas as quais podem – frise-se, podem – ser a verdadeira felicidade, essa que desconheço o que seja, mas que imagino ser, fim ao cabo, o tudo dos prazeres, a satisfação que nos brinda com o sentido da vida. A ganância pode assassinar o caráter, uma vida moralmente satisfatória poderá dar-nos uma realização concreta? Não sei, contudo me é certo que um preço será cobrado.
Que preço estamos dispostos a pagar pelas atitudes que tomamos ou deixamos de tomar? O que, a perder, estamos dispostos?
É só mais uma reflexão despretensiosa.