Publicado por: João Junior | 25/06/2010

Política

Exige, na maioria das vezes, considerável risco qualquer espécie de inovação. Os tortuosos caminhos de um novo meio ou de um até então desconhecido método de conduzir as coisas faz, no mundo dos fatos, que o ‘novo jeito’ seja sempre tão propalado, mas sempre só no discurso. A realidade, contudo, apresenta-nos o circo quase sempre da mesma forma, exigindo os mesmos palhaços.

Os anos sucedem-se e o jeito de ‘fazer política’, para usar uma usual terminologia empregada no costumeiro discurso de candidatos e afins, é muito semelhante: os que governam, fazem as obras que deixaram de fazer, cumprem promessas que lhe alcem à mídia, ressaltam o que se fez de bom no mandato e, sobretudo e nada mais, atacam a oposição por uma série de motivos, na maioria das vezes buscando rememorar aquelas velhas picuinhas da infância de que o ‘meu é melhor que o teu’; a oposição, por sua vez, vale-se da maioria do espaço que lhe permitem a fala para agredir e atacar pessoas e para diminuir ou criticar os feitos – mesmo os bons – dos que se encontram no exercício do poder – por vezes voltam 20 anos na história para tanto, batem e, ao mesmo tempo, exaltam governos passados de qualquer dos seus na esperança de convencer serem melhores. É uma briga de auto-afirmação em que pouco importa o que se fará, a vitória é o que importa e para tanto nada melhor do que se pisar uns nos outros. Ao povo, afinal, o que interessa saber de novas propostas? Bastam-lhes saber que somos menos piores uns que os outros, devem pensar.

É assim, nesse vício impregnado, que se desenvolvem as campanhas políticas. Pouca importância se dá ao estudo de uma realidade, à elaboração de perguntas que ensejarão respostas capazes de guiar a inovadoras propostas, não se apresenta ideias de continuidade do que está dando certo, a valorização e a grandeza de um reconhecimento são coisas de segundo plano. Agressões e uma concorrência mesquinha são os artifícios utilizados pelos  ’sempre os mesmos’ que vivem se alternando nas arenas políticas brasileiras em busca da ‘teta’. A eles interessa a manutenção do status quo, a eles interessa que o povo cada vez menos se interesse pela verdadeira política e pelo que verdadeiramente importa. A eles nada interessa a tomada de consciência de que são uns iguais aos outros, todos sem a menor capacidade de compreender a realidade e fundamentalmente contribuir para um crescimento coletivo da população. Fazem-nos cegos. São cegos também? Não sei, apenas percebo que assim, a eles, muito bom está.

É um picadeiro o local onde dão espetáculo os políticos brasileiros. Vamos seguir silentes? Vamos ainda aplaudir ao fim?

Um novo jeito de fazer política é o que precisamos para crescer.

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