Publicado por: Daniel Colombo | 09/12/2009

“Brasileiro não desiste nunca!”

Rubens Barrichello e o sentimento de ganância do povo mundial e brasileiro diante do capitalismo e individualismo selvagens que o mundo impõe aos cidadãos: uma questão a se pensar!

No meio de uma dessas madrugadas de insônia, ao olhar a comunidade do ilustre piloto (da qual sou associado) peguei-me no pensamento de por que os brasileiros menosprezam tanto a pessoa de Rubens Barrichello (que ele não é um mau piloto, na minha visão, é incontestável; caso contrário não seria o que possui mais Grandes Prêmios da história da Fórmula 1). E a resposta veio como um flash instantâneo. Porque o ser humano no geral, não só o brasileiro, vive numa competição exacerbadamente irracional (na verdade não tão irracional, eis que os motivos de tais atitudes estão diante da natureza indiscutivelmente gananciosa do ser humano), em que é digno de méritos apenas o esportista que vence, ou a pessoa que ganha mais dinheiro e/ou consegue um status relevante na vida – fazendo um paralelo econômico/social ao esporte. Isso é cada vez mais impulsionado pelo mercado capitalista e competitivo em que vivemos nos dias atuais. Mercado esse que se impõe desgovernadamente por todos os lados e mentes, sem que ao menos seja feito um juízo de valor. As pessoas esquecem de que, no exemplo do Barrichello, ele é um vencedor nato: passou a vida inteira fazendo o que sempre amou, ainda que sofrendo os percalços da burocracia esportiva. Ele é um exemplo de caráter, pessoa absolutamente íntegra em todos os aspectos – inclusive um pai de família apaixonadamente exemplar – que mesmo abalado pela corrupção do mundo automobilístico, jamais abaixou a cabeça e continuou insistindo por cima de todas as críticas possíveis. Sim, como alguns possam afirmar, é mais fácil quando se ganha milhões de reais por ano. Mas a questão central da polêmica é a desvalorização pelos “perdedores”. Como diria Marcelo Camelo: “Olha lá, quem acha que perder é ser menor na vida; Olha lá, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar”. (a prosseguir, vide último parágrafo)

Desculpem-me os que sempre o criticaram (Rubinho) e sempre desprezaram as pessoas não tão “vitoriosas” na vida, mas serão eles mesmos que são “perdedores” e não você, que valoriza tão-somente os grandes feitos e acaba menosprezando os pequenos grandes momentos (e pequenas grandes derrotas) que a vida nos proporciona?

“Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar amor; Eu que já não sou assim, muito de ganhar, junto às mãos ao meu redor, faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz…”

P.S.: entre Rubens Barrichello e Marcelo Camelo, os pensamentos começaram de um jeito e terminaram em outros lados, ainda que intimamente interligados.


Respostas

  1. Concordo contigo em todos os aspectos, principalmente quando tu diz que as pessoas só valorizam os vitoriosos, vide o caso do judoca Eduardo dos Santos, judoca brasileiro, que foi eliminado pelo suíço Sergei Aschwanden nas últimas olimpíadas, perdendo a disputa pela medalha.

    Pode parecer piegas, mas eu, como uma profunda apaixonada pelo esporte de maneira geral, acho que os melhores momentos não estão na vitória, mas nos momentos que podem, ou não levar até ela. O caminho da conquista é bem mais prazeros. Até se chegar ao pódio acontecem pequenos momentos de glória e superação, que são esquecidos quando esses não se tornam “vencedores”.

    ERa isso…

    • saiu judoca duas vezes…hehehhehe


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