Rubens Barrichello e o sentimento de ganância do povo mundial e brasileiro diante do capitalismo e individualismo selvagens que o mundo impõe aos cidadãos: uma questão a se pensar!
No meio de uma dessas madrugadas de insônia, ao olhar a comunidade do ilustre piloto (da qual sou associado) peguei-me no pensamento de por que os brasileiros menosprezam tanto a pessoa de Rubens Barrichello (que ele não é um mau piloto, na minha visão, é incontestável; caso contrário não seria o que possui mais Grandes Prêmios da história da Fórmula 1). E a resposta veio como um flash instantâneo. Porque o ser humano no geral, não só o brasileiro, vive numa competição exacerbadamente irracional (na verdade não tão irracional, eis que os motivos de tais atitudes estão diante da natureza indiscutivelmente gananciosa do ser humano), em que é digno de méritos apenas o esportista que vence, ou a pessoa que ganha mais dinheiro e/ou consegue um status relevante na vida – fazendo um paralelo econômico/social ao esporte. Isso é cada vez mais impulsionado pelo mercado capitalista e competitivo em que vivemos nos dias atuais. Mercado esse que se impõe desgovernadamente por todos os lados e mentes, sem que ao menos seja feito um juízo de valor. As pessoas esquecem de que, no exemplo do Barrichello, ele é um vencer nato: passou a vida inteira fazendo o que sempre amou, ainda que sofrendo os percalços da burocracia esportiva. Ele é um exemplo de caráter, pessoa absolutamente íntegra em todos os aspectos – inclusive um pai de família apaixonadamente exemplar – que mesmo abalado pela corrupção do mundo automobilístico, jamais abaixou a cabeça e continuou insistindo por cima de todas as críticas possíveis. Sim, como alguns possam afirmar, é mais fácil quando se ganha milhões de reais por ano. Mas a questão central da polêmica é a desvalorização pelos “perdedores”. Como diria Marcelo Camelo: “Olha lá, quem acha que perder é ser menor na vida; Olha lá, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar”. (a prosseguir, vide último parágrafo)
Desculpem-me os que sempre o criticaram (Rubinho) e sempre desprezaram as pessoas não tão “vitoriosas” na vida, mas serão eles mesmos que são “perdedores” e não você, que valoriza tão-somente os grandes feitos e acaba menosprezando os pequenos grandes momentos (e pequenas grandes derrotas) que a vida nos proporciona?
“Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar amor; Eu que já não sou assim, muito de ganhar, junto às mãos ao meu redor, faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz…”
P.S.: entre Rubens Barrichello e Marcelo Camelo, os pensamentos começaram de um jeito e terminaram em outros lados, ainda que intimamente interligados.