Publicado por: Daniel Colombo | 05/02/2010

Sexo, drogas e rock’n roll!

Muitas vezes assistimos a pessoas que simplesmente acomodam-se nas suas vidas medíocres. Mas por quê? Falta de disposição em mudá-las? Não sei ao certo. Porém, percebo que a grande maioria preocupa-se em simplesmente reclamar das adversidades encontradas e vivenciadas, o que acaba gerando, futuramente, uma decepção pela ausência de seus grandes objetivos. É certo que, às vezes, a vida nos apresenta surpresas que dificultam tais perspectivas, tornando o seu trilhar mais tortuoso, sim. Mas o que realmente distingue os vitoriosos, ao menos em seus objetivos primários, é a constante insistência e força de vontade. Não que as pessoas com suas vidas medíocres acabam tornando-se infelizes ou necessariamente decepcionadas – eis que inúmeras vezes os planos são menores que os próprios resultados alcançados, ainda que diversos –, mas a conclusão a que chego é a comodidade que os cidadãos do nosso mundo geram, por eles mesmos.

Tal pensamento surge-me justamente quando eu me questiono sobre o meu futuro. Um dos meus maiores medos é, sem dúvida, acostumar-me com a comodidade, principalmente pelas influências negativas (e decepcionadas) que nos cercam.

Reclamar e curtir a vida ao máximo, dentre sexo, drogas e rock’n roll, não vai postergar as frustrações inevitáveis de uma vida acomodada: a vida passa e os nossos olhos nem sentem.

Publicado por: Daniel Colombo | 09/12/2009

“Brasileiro não desiste nunca!”

Rubens Barrichello e o sentimento de ganância do povo mundial e brasileiro diante do capitalismo e individualismo selvagens que o mundo impõe aos cidadãos: uma questão a se pensar!

No meio de uma dessas madrugadas de insônia, ao olhar a comunidade do ilustre piloto (da qual sou associado) peguei-me no pensamento de por que os brasileiros menosprezam tanto a pessoa de Rubens Barrichello (que ele não é um mau piloto, na minha visão, é incontestável; caso contrário não seria o que possui mais Grandes Prêmios da história da Fórmula 1). E a resposta veio como um flash instantâneo. Porque o ser humano no geral, não só o brasileiro, vive numa competição exacerbadamente irracional (na verdade não tão irracional, eis que os motivos de tais atitudes estão diante da natureza indiscutivelmente gananciosa do ser humano), em que é digno de méritos apenas o esportista que vence, ou a pessoa que ganha mais dinheiro e/ou consegue um status relevante na vida – fazendo um paralelo econômico/social ao esporte. Isso é cada vez mais impulsionado pelo mercado capitalista e competitivo em que vivemos nos dias atuais. Mercado esse que se impõe desgovernadamente por todos os lados e mentes, sem que ao menos seja feito um juízo de valor. As pessoas esquecem de que, no exemplo do Barrichello, ele é um vencedor nato: passou a vida inteira fazendo o que sempre amou, ainda que sofrendo os percalços da burocracia esportiva. Ele é um exemplo de caráter, pessoa absolutamente íntegra em todos os aspectos – inclusive um pai de família apaixonadamente exemplar – que mesmo abalado pela corrupção do mundo automobilístico, jamais abaixou a cabeça e continuou insistindo por cima de todas as críticas possíveis. Sim, como alguns possam afirmar, é mais fácil quando se ganha milhões de reais por ano. Mas a questão central da polêmica é a desvalorização pelos “perdedores”. Como diria Marcelo Camelo: “Olha lá, quem acha que perder é ser menor na vida; Olha lá, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar”. (a prosseguir, vide último parágrafo)

Desculpem-me os que sempre o criticaram (Rubinho) e sempre desprezaram as pessoas não tão “vitoriosas” na vida, mas serão eles mesmos que são “perdedores” e não você, que valoriza tão-somente os grandes feitos e acaba menosprezando os pequenos grandes momentos (e pequenas grandes derrotas) que a vida nos proporciona?

“Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar amor; Eu que já não sou assim, muito de ganhar, junto às mãos ao meu redor, faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz…”

P.S.: entre Rubens Barrichello e Marcelo Camelo, os pensamentos começaram de um jeito e terminaram em outros lados, ainda que intimamente interligados.

Publicado por: Daniel Colombo | 04/12/2009

O início de uma nova era!

Desde os meus 9 ou 10 anos, época em que tive início como cinéfilo, passava o dia inteiro como ratinho (devido à minha pequenina estatura, por óbvio) de locadora – mais precisamente na Holywood Vídeos – incomodando o proprietário e amigo Marcão sobre os lançamentos e antiguidades e, de fato, assistindo a todos que podia, mesmo sem absorver o real sentido deles. O interessante é que sempre tive fascínio pela sétima arte, sendo que, a partir dos inúmeros filmes que envolviam temas jurídicos, jamais tive dúvida sob a profissão a seguir: o Direito – ainda que a verdadeira paixão (o próprio cinema) estivesse estampada a olhos nus.

E eis que realmente segui o caminho do Direito. Quando jovem, via-me como aqueles elegantes e “justiceiros” advogados que os filmes brilhantemente nos mostravam. Contudo, no início da minha caminhada acadêmica, meus ideais trilharam novos rumos. Rumos de uma suposta Justiça Social, influenciada pela postura anti-corrupta/ganaciosa e ideológica de um Estado Social de Direito. A verdade é que o dinheiro nunca me atraiu a ponto de ferir princípios tidos como fundamentais pra mim. Nos momentos de indecisão da vida profissional, foi em materiais socialistas/comunistas que eu foquei a minha análise jurídica e social: desde o Manifesto do Partido Comunista (1848), de Marx e Engels, a As Véias Abertas da América Latina (1976), do mestre Eduardo Galeano – esse o melhor e mais importante livro que já li -, o ideal comunista foi instaurando-se gradualmente na minha vida. Houve, sim, momentos radicais, mas necessários para estabelecer parâmetros importantes sobre certos pontos de vista possíveis e outros utópicos. Concluindo, a partir de então, paradoxalmente, me visualizava profissionalmente como sendo integrante do serviço público, trabalhando em prol da sociedade e jamais pela comodidade gerada pela estabilidade funcional e financeira.

Abstraindo toda essa introdução um pouco alongada, onde eu quero chegar com isso é que estou diante de um dilema no início da minha carreira no serviço público. Com a iminente atribuição de inclusive lidar com os cidadãos, preocupo-me não com o medo de não saber exercer algumas atribuições – diante de certo nível de inexperiência – que talvez façam eu passar alguns constrangimentos, mas, sim, com a tendência de não poder atender ao contribuinte da maneira que ele realmente merece, da maneira que o serviço público exige e necessita que seja prestado. Pode parecer semelhante, mas são totalmente distintas as colocações.

Aí que chegamos à conclusão de meu pensamento, diante da apresentação do meu dilema. Ainda que o descaso tenha tomado conta do funcionalismo do Estado, acredito que se nós todos pensarmos da mesma maneira que eu coloquei – a excelência do serviço público em prol da sociedade e dos cidadãos e não de uma estabilidade financeira – talvez possamos mudar o nosso fadado Estado Democrático de Direito para, efetivamente, um Estado Social Democrático de Direito. Para mim, é bastante claro o objetivo de todos os integrantes de cargos, empregos e funções públicas, porém, aparentemente, para alguns a ficha ainda não caiu. Em tempos de corrupção deslavada, o Estado e as instituições públicas acabam tornando-se absolutamente desacreditadas por todos, entretanto, nós – jovens – temos a responsabilidade de mudar isso, começando com o pensamento de que se cada um fizer o seu papel (por menos significativo que ele pareça) podemos construir uma sociedade baseada no respeito à cidadania e aos direitos sociais. Ou seja, embora tardiamente, o momento é de construção de uma nova era; a nossa era!

Publicado por: João Junior | 03/10/2009

Desabafo pelo direito de ser feliz…

Aos que interessar, posso dizer-lhes: sinto-me feliz com a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Sinto-me feliz e não sei dizer se vai ser bom ou se vai ser ruim. Se pudesse prever o futuro, eu juro para vocês, eu descobriria aqueles seis números mágicos e passaria a escrever diretamente das montanhas dinamarquesas ou das praias caribenhas.

Sinto-me feliz porque faço as coisas todas direitinho. Estudo, quero ser um grande profissional, dedico-me para tanto e tenho pensamento igualitário e social. Quero um mundo bom para mim e para todos.

Sinto-me feliz porque não roubo ninguém, não corrompo ninguém, pago todos os impostos que sou obrigado a pagar e reclamo a sua destinação. Ajudo a quem posso dentro das minhas possibilidades. Busco o melhor e não desisto dele. Vou atrás. Por mim e por todos vocês.

E por tudo isso, eu me sinto feliz de ter no meu país as Olimpíadas. E digo mais: sinto orgulho!

Sinto um orgulho que talvez não devesse, já que tanto dizem que vão roubar o meu dinheiro e que eu sou, bem da verdade, um trouxa. Um verdadeiro corno manso. Que veste o nariz de palhaço e ainda vibra com a oportunidade perfeita de que surrupiem o que é público.

Um corno manso porque sei que tudo isso pode acontecer e ainda gosto da idéia. É o que dizem por aí. E dizem mais: “esse dinheiro poderia ser investido em tantas outras coisas com destinação social”.

Tudo isso pode ser verdade.

Mas eu penso comigo: serei mesmo eu o trouxa? Ou mais trouxas que eu são os ditos sabidos que tanto gritam isso – a roubalheira eminente – aos quatro cantos?

Para essas perguntas, não vejo outra resposta que não seja a minha auto-absolvição.

Estamos tão acostumados a parar de aproveitar as coisas da vida, a liberdade de um passeio ingênuo à noite, de um bom bate-papo na frente das casas, de um caminhar tranqüilo no centro da cidade, todas aquelas coisas que não podemos fazer porque a insegurança impera. Estamos acostumados a nos privar do prazer em nome da esperteza de não sermos assaltados.

Sempre somos nós que pagamos a conta. E sempre somos nós que, para não nos sentirmos trouxas, queremos sempre nos privar o próprio prazer, que se não é o motivo da vida, é o que nos faz vivos. E nunca vamos atacar as causas primeiras, aquelas que são verdadeiramente a essência do problema. A gente prefere, porque a nossa mulher nos trai (os políticos), parar de sair a rua, privarmos dos nossos prazeres em nome do comodismo de não romper a relação.

É exatamente o que ocorre nessa questão das Olimpíadas. Nós preferimos muito mais nos privar do prazer da grandiosidade do evento, da riqueza cultural, da riqueza esportiva, da riqueza econômica privada, do crescimento do país e principalmente do orgulho de ver o Brasil dentre as principais nações do mundo, e sendo reconhecido como tal, somente porque a gente conhece a imoralidade que assola o nosso país.

A gente prefere não ter as coisas. E talvez fazer de conta que não existe corrupção. E contra a corrupção, o que a gente faz?

Quem é mesmo o corno manso? Quem é mais trouxa? O que sabe e não faz nada e ainda comete auto-privação dos prazeres, ou que pelo menos se dá o direito de sentir orgulho de ver, dentre mazelas e dificuldades, o país crescer?

Quem faz esse crescimento somos nós. O Estado nada mais é do que todos nós. E temos nós, também, o direito de sermos grandiosos e de termos as nossas realizações recompensadas. A corrupção é coisa deles, dos imorais, e é eles que devemos combater.

Não devemos mais tolher o nosso direito à felicidade porque nos roubam, mas sim nos insurgir contra o roubo em si. Sujeira embaixo do tapete não corrige nada.

(Este post é um complemento ao do meu grande amigo Daniel. )

Publicado por: Daniel Colombo | 03/10/2009

Ponderação de valores!

Como já deve ser sabido de todos os brasileiros, o Rio de Janeiro (sim, aquele… “cidade maravilhosa, cheia de encantos…”) será sede dos jogos Olímpicos de 2016. Fato inacreditável pra alguns, utópico e surreal pra outros – inclusive pra mim. Quem diria uns anos atrás que o Brasil, aquele país de merda, de terceiro mundo,  viria a acolher o maior evento esportivo do mundo, e, ainda por cima, dois anos após sediar a Copa do Mundo de Futebol. Avanços significativos, indiscutíveis a meu ver. Por um momento o Brasil deixa de estar entre as pequenas potências e passa a ser admirado, respeitado, assistido por todos que o desprezaram em outras épocas, ou melhor falando, pelo mundo inteiro.

Mas o que eu tento vir a colocar em pauta aqui nesse post são as diversas opiniões que dividem os posicionamentos dos brasileiros sobre a realização de um evento dessa magnitude numa base política e social precária que é a do nosso país.

“Vai ser uma roubalheira; um superfaturamento; o nosso país é uma merda, cheio de miséria, falta de investimento social, etc, etc, etc”. Talvez a opinião pré-moldada mais corriqueira. Ouviremos esse jargão nos próximos dias constantemente. Não a aceito sem fundamentos! Não a aceito sem que me demonstres que a adquiriu sozinho e não como forma de manifestação de outras pessoas, funcionando como um acéfalo ignorante e inconsequente! Que a roubalheira existe, isso é indiscutível. Até parece que ela não existiria se por acaso as Olimpíadas não fossem realizadas aqui. Ela é constante, infelizmente. O que fazermos? Agirmos da maneira que podemos, dentro das nossas limitações, para tornar o nossa administração pública digna da probidade que merece o povo; e não rejeitarmos a importância econômica, social, esportiva, educacional, internacional, etc, que tal evento irá, sem dúvida, proporcionar-nos.

“A postura que o Presidente Luís Inácio Lula da Silva teve após a vitória da candidatura Rio/2016 foi indigna de um Chefe de Estado”. Ouvi essa afirmação ontem, de uma amiga bastante íntima, referindo-se à emoção quase infantil do Lula ao ganharmos a oportunidade de sediarmos as Olimpíadas. Manobra de sensacionalismo de eleitores? Discordo veementemente. Creio na exposição de um sentimento de árdua batalha para colocar o nosso pais num status de primeiro mundo, que o Presidente Lula, ainda que envolvido em sujeiras pelo caminho, trilhou, e muito, para alcançar. Ademais, não se pode padronizar o comportamente de um governante, pois as motivações são distintas pra cada país. O Brasil merecia, necessitava dessa aprovação mundial.

“Olimpíadas no Rio de Janeiro nada nos interessa”. Essa é fruto do preconceito e pedantismo que os gaúchos têm. Acharmos que somos melhores que os outros Estados e crer nessa baboseira lendária e utópica de independência é de uma petulância ignorante e egoísta para os demais “povos brasileiros”  e para a nação brasileira. Todavia, tal tema será pauta de uma outra discussão que iremos postar aqui no blog.

Em suma, como tudo na vida, a ponderação de valores mostra-se presente. Tente não radicalizar ou extremar uma situação, até porque retira-nos o dom do raciocício, escasso cada vez mais dentre as mentes jovens, média e velhas de nossa sociedade. Sintam-se livres para opinar a respeito de qualquer assunto, contudo não deixem de sopesar o que realmente é mais válido, inclusive porque a vida sempre nos mostrará que tudo tem um lado B e um lado A.

Desculpem-me os que se sintam agredidos pelas minhas palavras, mas a verdade é que eu respeito as opiniões contrárias, apesar de não aceitá-las. Porém, a Constituição me proporcionou a liberdade de expressão, assim como proporcionou-lhes da mesma maneira, o que acaba por tornar as discussões mais hígidas.

Sinto muito, mas hoje eu tenho orgulho em ser brazileiro!

Publicado por: Daniel Colombo | 26/09/2009

A olhos nus!

Passarei a discorrer a respeito de um “problema” que eu de fato possuo. Muitos de vocês podem se identificar ou discordar absolutamente. Todavia, demonstrarei que, talvez, eu possa estar enganado quanto ao posicionamento anteriormente adotado.

Não privilegiar pequenas conquistas, na vida, na carreira, na amizade, no amor, … Sempre fui muito rígido quanto às minhas conquistas, acreditando que não estou fazendo nada além do meu dever e de que tudo não passa de um escalonamento ao topo de algum desafio realmente grandioso. Instigante tal pensamento, uma vez que sempre me deu forças pra buscar algo melhor e não me dar ao luxo de acomodar-me diante de situações mais estagnadas. Melhor dizendo, o grande propulsor aos grandes objetivos da vida. Mas qual objetivo? Divagando um dia desses conclui que tal objetivo não existe concretamente. Está totalmente em aberto. E as pequenas vitórias no decorrer do caminho? Essas, sim, hão de ser apreciadas adequadamente. De que adianta chegar a algum lugar sem desfrutar do prazer referente ao caminho percorrido? São pequenos detalhes que saltam aos olhos nus e que possuem mais importância do que acreditamos que tenham.

Pois é, acabamos por nos arrepender de alguns ideais, contudo nunca é tarde, ainda mais quando se é jovem. Mas como eu gosto de mencionar: nunca saberemos nos posicionar de maneira definitiva sobre algo se não percorrermos os dois lados da moeda.

“Que me seja permitido desaprender os limites”, inclusive aqueles impostos pelos meus pensamentos, muitas vezes radicais. Tentar mudar, transformando-se numa “metamorfose ambulante”, é uma das maiores virtudes de nós seres humanos ignorantes e pedantes.

Publicado por: João Junior | 17/09/2009

A mulher de César…

Dizem às linguas miúdas por aí, nos contos populares, que na Roma antiga dizia-se que à mulher de Cesar, o todo poderoso, não bastava ser honesta, como também precisava parecer honesta.

Nada mais me veio à cabeça senão isso assim que li, hoje à tarde, a notícia de que o presidente da República indicará (ou acertou a indicação, bem nos termos de um negócio, como reporta a notícia que, a quem interessar, ora disponibilizo http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a2655197.xml) ao cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da estrutura judicial deste país e, nos termos da academia otimista, o guarda da Constituição, o senhor AGU José Toffoli.

Pelo desconhecimento, resolvi pesquisar a carreira de quem presumi se tratar de um insígne jurista.

Qual a minha surpresa quando, em uma breve pesquisa nesse mundo virtual, constatei a imagem concretizada da decepção, que me fez, disso, um envergonhado.

Faço aqui um parêntese e rememoro aos meus leitores que a CF  prescreve que um cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal, cargo de maior prestígio e maior remuneração do funcionalismo público brasileiro, deve ser ocupado por alguém que, dentre outros requisitos (como idade superior a trinta e cinco anos), detenha notório saber jurídico. 

Fechado o parêntese, retomo relatando que a minha vergonha, como quase-bacharel em Direito, decorre da constatação de que o senhor José Toffoli, consoante denota o seu próprio currículo disponibilizado no site da Advocacia Geral da União – instituição cuja chefia se escolhe também por conchavo político - detém como titulação acadêmica uma mera e singela especialização (Editado: destaco aqui a observação feita por um atento leitor: o senhor Toffoli, escolhido pelo i. Presidente em detrimento de inúmeros juristas de carreira destacada no Brasil e no exterior, sequer detém o título de especialista, como eu havia referido), assomada a um período como docente em uma instituição de ensino de Brasília. (Apenas como referência para os senhores, destaco, apenas para exemplificar, que o Ministro Joaquim Barbosa é doutor pela Universidade de Paris II, bem como o Ministro Gilmar Mendes – em que pese a dúvida sobre o caráter – é mestre [duas vezes] e doutor pela Universidade de Münster, na Alemanha, além de ser co-autor de uma obra qualificada de Direito Constitucional).

Não bastasse isso, verifiquei, no mesmo curriculum, que o senhor Toffoli detém sim publicações jurídicas. Três artigos, dois deles disponibilizados em jornais.

Não conseguem entender o porquê da indignação e da surpresa? Ora, um título de especialização e três artigos publicados (dois em jornais e um em um veículo que não se conhece) não são capazes de denotar saber jurídico suficiente nem para autorizar com segurança o ingresso em uma pós-graduação nas melhores Universidades do país. Será que é o suficiente para configurar o notório saber jurídico exigido pela Constituição para que um jurista ingresse na mais importante Corte do país, cujas decisões, além da grande importância, servem de baliza para todo o judiciário?

É-me indignante, e faz o meu espírito ser tomado por uma vergonha imensa, ver os conchavos políticos ditarem a caótica trajetória das instituições brasileiras. Por que me refiro a jogos políticos?

Ora, o próprio currículo do senhor Toffoli responde. ADVOGADO DO PARTIDO DOS TRABALHADORESauxiliou nas últimas campanhas do presidente Lula, e foi sub-chefe para assuntos jurídicos da Casa Civil, no governo Lula, DURANTE A GESTÃO DE JOSÉ DIRCEU (sim, sim… aquele mesmo do mensalão), tendo sido exonerado pela Ministra Dilma Roussef pela sua estreita ligação com o ex-ministro do mensalão. Depois disso, o presidente o nomeou Advogado-Geral da União. Agora, com a vaga no STF, quer o fazer também Ministro.

Ressalvo que não conheço o referido senhor. Pode ser, sem dúvida, um ser muito honesto e, mais que isso, um gênio para as questões jurídicas, que de tão bom, sequer precisou aprofundar seus estudos nos bancos da acadêmia. Contudo, senhores, acredito que para uma posição tão importante na ordem social do país, não é suficiente só ser – o que, honestamente, duvido que seja -, mas também se exige que pareça ser, de modo a garantir a lisura, a credibilidade e o respeito da instituição STF.

Supremo que, pelo que se há visto nos últimos anos, anda no mesmo caminho do Senado, da Câmara e da Administração… o caminho da ilicitude e da ilegitimidade!

Quem haverá de decretar a inconstitucionalidade do senhor Toffoli?

Pela atenção, meus agradecimentos. Pela vergonha alheia, minhas desculpas.

João Nunes Junior.

.

Publicado por: João Junior | 27/06/2009

Uma pequena observação…

Antes de qualquer manifestação, preciso tecer algumas considerações acerca do meu bom amigo Daniel, que está a abrilhantar os escritos que por vezes se publica aqui.

Completamente inserido no objeto destas folhas brancas,  em dois belos textos, o meu novo parceiro de blog já demonstra algumas de suas qualidades natas: a sensibilidade para as coisas do mundo, a ponderação com que as analisa e a sinceridade como as expõe. Parece-me inócuo – porém necessário – dizer-vos das qualidades de escrita e da solidez dos pensamentos, pois isso é ululante aos olhos de qualquer de nós.

Contudo, Daniel, introduzo estas palavras apenas para gravar aqui o meu agradecimento por dividires os teus pensamentos aqui em outrascoisasdefato. É-me um enorme prazer ter o amigo por estas bandas.

No post abaixo, tivemos uma interessante análise acerca de um ocorrido em que, irresponsavelmente (e este é o objeto destas minhas palavras), rotulou-se um argentino de racista em virtude de uma suposta manifestação de depreciação em virtude da raça negra. Às palavras do Daniel, apenas acrescento um importante elemento, qual seja, a concepção moderna acerca da teoria do desvio.

Assevero que o desvio decorre de uma manifestação de determinado ato aos olhos de um grupo individualizado, que julgará com base em definições e conceitos estabelecidos e ditados como norma. Nesse sentido, apenas veremos um homossexual como alguém desviante quando, ao comparar com a idealização que projetamos a partir dos nossos próprios conceitos, percebemos a diferença que se apresenta.

Onde quero chegar quando uso desses conceitos (que melhor podem ser entendidos pela leitura do livro Outsiders, de Becker)? Quero dizer que somente será inaceitável e, mais do que isso, apenas se verificará uma atitude racista quando ponderarmos acerca de todos os elementos que perfectibilizam a conduta, quais sejam, a ação, o autor, o contexto, a cultura, dentre outros.

Enfim, o objeto do meu post nem era esse. Queria assinalar apenas o quão irresponsáveis são alguns órgãos da imprensa quando promovem rotulações quando não detém certeza do que verdadeiramente aconteceu. Assim foi nesse caso, em que o jogador do Grêmio, mesmo sem qualquer substrato probatório fidedigno, já é pré-julgado pelo contexto social como um racista ou, pior ainda, como um argentino racista (em clarividente expressão de xenofobia, que mais me lembra o clássico jargão do “sujo falando do mal lavado”).

Mais triste ainda é assistir a bacharéis em Direito acusando irresponsavelmente e rotulando sem qualquer preocupação com a verdade. Vocês já pararam para refletir, nobres leitores, em como é difícil reconstituir a imagem de alguém que é pré-julgado mesmo sem qualquer prova e, mais do que isso, mesmo após obter um juízo absolutório?

Uma questão a se pensar.

.

Publicado por: Daniel Colombo | 26/06/2009

Racismo ou generalização?

A partir de um fato concreto, ocorrido no jogo entre Grêmio e Cruzeiro pela semi-final da Copa Libertadores da América nesta quarta-feira, dia 24 de junho, eu me exponho a tratar de um assunto bastante polêmico na sociedade em que vivemos: até que ponto atitudes de racismo em jogos de futebol, dentre todo o nervosismo e descontrole emocional dos jogadores, devem ser levados a sério?

A situação fática e os depoimentos do jogador Elicarlos afirmam que o atacante argentino Máxi López o teria chamado de “macaco”. É lógico que essa questão será investigada pela polícia de Belo Horizonte para averiguar se de fato houve a ofensa. Abstraindo-se da veracidade das alegações, a questão é outra. Suponhamos que, realmente, tenha havido a injúria racial.

Ponho-me a achar que esse é um fato que não merece maiores atenções. Deixo claro que não me posiciono como defensor desses tipos de acontecimento, pelo contrário, desprezo-os. Contudo, acaba tomando dimensões excessivamente generalizadas.

O futebol, como todos que o acompanham corriqueiramente sabem, é de extrema emoção e reações das mais injustificadas. Isso significa que da mesma maneira que um jogador do Cruzeiro viesse a chamar o argentino López de “argentino viadinho e cabeludo, roscão, etc” a injúria efetivamente também ocorreria, mas não tomaria nenhuma relevância jurídica, ou por parte da imprensa e até mesmo do próprio jogador argentino, tenho quase certeza disso.

Eu sei que a legislação vigente impõe a punição a tais infratores, mas em tais situações, refiro-me a um jogo de futebol, a própria atitude do jogador ofendido não deveria ser de reprovação, mas de simples provocação em momentos de pura tensão. As atitudes de denúncia dos ofendidos não impõem nada mais do que o medo, e não um respeito que se pretende alcançar, de sofrer com as conseqüências jurídicas da situação.

Acredito cegamente que a situação ora descrita se mostra infinitamente distinta de um ato de racismo ocorrido, por exemplo, em um restaurante, numa situação de pura discriminação racial. Quem jamais se referiu, ainda que apenas em pensamentos ou a amigos, a uma pessoa negra de “negão”, e mesmo assim não possuir qualquer sentimento de aversão ao critério racial? Se negar, pura hipocrisia será!

Precisamos rever o que realmente faz a situação racial tomar grandes magnitudes na sociedade atual e não nos ater a detalhes simplesmente insignificantes e ainda que não justificáveis, ao mínimo desculpáveis.

Publicado por: Daniel Colombo | 20/06/2009

Status, Crenças, Filosofia…

Que a nossa sociedade vive de um status um tanto superficial, nós todos sabemos. O que eu quero dizer com status? Para se viver de uma maneira respeitável, muitas vezes é necessário ter um nome, uma profissão, uma carreira, … idéias quase sempre ilusórias e insignificantes da verdadeira personalidade do ser humano. E é a partir desse status que vivemos num cotidiano de preconceitos e desrespeitos uns pelos outros. O que faz darmos mais crédito a um médico do que um simples e não menos importante pedreiro? Responda-me e não venha com respostas prontas que eu não terei o prazer de discutir a respeito.

Nesse paradigma é que eu sempre me posiciono como ateu. Como é possível vivermos numa injustiça constante sem que seja quem for o Deus que uns creditam a força divina deixe a situação cada vez mais penosa? O que realmente pode vir a fazer a diferença é, de maneira muito clara na minha cabeça, as pessoas que não se encaixam ou pensam de maneira diferente do supracitado status social. O grande problema é a desilusão e a decepção que me apego com essas pessoas que ora colocamos nossas esperanças. Se há alguma luz no fim do túnel, não sei, não consigo encontrá-la.

Afinal, qual o real sentido para estarmos vivendo aqui nesta situação chamada vida? Se de fato não for para fazermos e vivermos coisas boas, penso que estaríamos vivendo mais perto de um folclórico inferno do que qualquer outra coisa. Uma posição pessimista? Talvez. Contudo, os fatos não comprovam uma situação contrária da que estou me referindo.

Alguns pensamentos lançados ao vento em menos de 10 minutos: essa é a reflexão que venho fazer neste post, nada mais que simples idéias pessoais, mas que podem sugerir discussões bastante intensas. Ademais, deixo a minha eterna insatisfação com o “mundo” em que vivemos. Quem sabe se nos perdêssemos numa ilha distante e começássemos uma vida apenas em cima de coisas realmente importantes, abdicando de futilidades, o ser humano não seria de um modo geral mais humano? Acredito que sim.

Um abraço ao meu grande amigo João, que estabeleceu esse blog para idéias diversas.  Um ser humano a quem eu credito muita esperança e que jamais se enquadraria no status desprezível a que me referi no texto.

Postagens Antigas »

Categorias